Você gosta de política?

Eu sou do tipo que se envolve, que torce, que faz campanha. Contra ou a favor. Quando algum deputado vota ou veta uma lei contrariando os interesses de quem votou nele, eu mais que depressa anoto seu nome na minha cadernetinha mental pra nunca mais correr o risco de votar nele.

Eu acho o cúmulo quando alguém diz que “não vota”. Quem não vota deveria também – pelo menos – não reclamar depois, já que contribuiu para que outro melhor não entrasse em seu lugar. Já teve até eleição onde o único candidato perdeu para os brancos e nulos. Tudo bem que tem hora que a gente se sente meio sem opção, mas urna não é tribuna para protesto, urna é pra votar. Antes de dever, é um direito que todos temos, a nossa maior chance de mostrar que não aprovamos o que alguém fez é votando em seu adversário.

Mas muita gente abre mão disso, dizendo que “não gosta de política”. E de emprego, será que gostam? De salário, 13º, férias, comida na mesa, transporte? Pois é. Dizer que não gosta de política é o mesmo que dizer que não gosta de trabalhar, comer, viver. A gente pode até não gostar de “políticos” ou de “politicagem”, mas a “política” é que decide o que vamos comer, como vamos nos vestir, onde vamos trabalhar e quanto vamos ganhar pelos próximos 4 anos pelo menos. E como ficar à margem disso?

Bem, mas isso é lá com a consciência de cada um. Mas depois, por favor, não reclame! E não diga que eu não avisei…

Zailda Coirano

Big Brother

Durante muito tempo eu não conseguia entender como as pessoas gostavam do Big Brother, mas bastou eu começar a assistir para ficar ligada em tudo o que acontece, pensei até em assinar o canal da TV a cabo para ver o programa 24 horas por dia. Ainda bem que eu não fiz essa besteira, porque nos 3 dias em que o canal ficou aberto, não fiz outra coisa senão “espiar”.

Logo percebi como é interessante ver que todas as pessoas após algum tempo de confinamento, longe da família e do mundo fora da casa vão mudando e agindo como todas as outras em idêntica situação. Se eu tivesse estudado para ser psicóloga – como era minha intenção na juventude – eu com certeza faria todo um estudo sobre esse tema.

Também é fácil prever que em poucas semanas as pessoas criam laços profundos de afeto com as pessoas que estão lá dentro, pessoas que se conhecessem em outra situação não seriam sequer consideradas para uma amizade ou “algo mais”. Imagino que a carência afetiva, social e sexual seja extrema lá dentro, fazendo com que todos deixem um pouco de lado seus traços individuais para assumir um pouco da identidade coletiva. Num grupo barraqueiro, em breve veremos todos batendo boca; num grupo descolado, em poucas semanas estão todos assumindo uma postura mais descontraída, e por aí vai.

Eu sempre critiquei o Big Brother, mas como o próprio Pedro Bial disse: o programa é assistido por quem o ama e também por quem o odeia. E eu não sou daqueles que assistem só pra criticar, assisto porque estou achando interessante mesmo.

Ah, se eu fosse psicóloga…

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Início

Olá!

Sou professora de inglês, espanhol e português para estrangeiros e tenho vários blogs, mas sentia necessidade de escrever um blog pessoal, onde as pessoas pudessem me conhecer melhor. Os colegas já estão acostumados à profissional, mas sinto que a “pessoa” ainda é uma incógnita. Gostaria de sentir-me mais próxima das pessoas e esta é a razão principal de escrever este blog.

Apesar de comunicar-me com dezenas de pessoas todos os dias, sinto que elas não percebem que sou alguém do mundo real, com problemas, dúvidas e limitações como todo mundo. Todos os meus blogs são escritos por mim, mas por mais de uma vez já fui chamada de “equipe”, “pessoal”, etc. isto sinaliza que muitos de meus leitores acreditam que “Zailda” não é uma pessoa, mas uma empresa, um grupo de pessoas ou qualquer coisa assim.

Eu até funciono como “empresa” em minha loja virtual, e meu filho até já disse que meu nome, por ser tão diferente, pode ser usado como “marca”. Eu até concordo com ele, posso até usar meu nome como “marca”, mas preciso também deixar claro que por trás dessa marca existe um ser humano.

Necessidade besta essa, mas mesmo besta é genuína e creio que comum a todos os outros mortais. Todos queremos que percebam que por trás do funcionário, do atendente, do vendedor, está um ser humano e que como ser humano quer ser reconhecido.

Então nesse blog aqui eu vou deixar de lado a professora, a empresária, a aposentada, a blogueira para ser apenas eu mesma.

Zailda Coirano

Racismo na vida real e na TV

Depois do caso recente e lamentável da gremista que chamou o Aranha de “macaco”, racismo é um dos assuntos do momento. Deplorado e denunciado pela gigante Globo em seu telejornal, essa mesma emissora se recusa a perceber que nem só de brancos sobrevive a etnia brasileira. Contam-se nos dedos das mãos os atores negros que participam de suas novelas e minisséries, e ainda assim em papéis menores, frequentemente de empregado doméstico. As mulheres negras sempre como domésticas, dançarinas, prostitutas.

Não desmerecendo nenhuma profissão, num país onde a maioria é de origem negra ou tem uma porcentagem de sangue negro, acho difícil que não tenham ainda percebido que há representantes da raça negra em todas as profissões e classes sociais. Na “vida real’ não há distinção entre negros e brancos em qualquer função, são encontrados em todas elas. Há juízes, advogados, médicos, motoristas, professores, políticos negros. Só no dito canal de TV não são encontrados. Eu me pergunto como sobrevivem os atores da emissora, provavelmente à espera de algum papel de faxineira ou motorista.

Ainda para mais além vão agora, ao estrear uma minissérie com o sugestivo e pejorativo título de “Sexo e as negas”, já de cara antipatizei sem ter visto nem a chamada para a tal “coisa”. Essa “coisa” com esse título infame que associa uma palavra que por si só já considero pejorativa (nega) a sexo não pode ser politica e etnicamente correta.

O título infeliz é para mim o ápice do extremo mau gosto e da forma acintosa com que a emissora há décadas ignora profissionais negros, que raramente são exibidos nas telinhas. Nega-se a eles a oportunidade de mostrar ao público seu trabalho, seu talento, sua beleza. Quem foi a última atriz negra que você considerava uma “diva”? A cada novela surge uma nova diva branca, as negras aparecem a cada década e olhe lá. Será que elas não têm talento? Ou será que não lhes dão papéis que as exponham à admiração do grande público?

Será que para a tal rede as “negas” são vistas apenas para sexo & serviço doméstico? Ou será que vale a cada novela de 50 personagens ter um negro em “funções normais”? Já tivemos alguns negros em papéis relevantes, mas quantos? Dois? E quantos brancos?

Chamar um jogador de futebol de macaco é preconceito, e chamar uma mulher de “nega” associando-a a sexo? Tudo bem pra você?

Velha, quem, eu?

É, pode até ser que a idade tenha chegado, mas eu vejo uma grande diferença entre ser velha e ter idade avançada. No caso eu me considero “uma senhora de idade avançada”, claro. E pode crer que há muita gente aí de 18 anos que já é velha e tem os achaques de todo velho: reclama de tudo, nunca tem vontade de fazer nada, quer tudo do jeito que sempre foi, odeia novidade, acha tudo um saco.

Pois eu acho um saco ficar tentando convencer gente que tem pelo menos 30 anos a menos que eu que o novo pode dar trabalho, mas abre um leque de possibilidades. Estou cheia de ficar dizendo a pessoas que se dizem “jovens, modernas” e sei lá mais o que, que se a gente não toma o bonde ele vai e a gente fica. Quer dizer, o bonde não, que isso é coisa de gente velha: a gente tem que tomar o trem bala.

Então imaginem agora, que quando se dizia que se não tomar o bonde fica pra trás já ficava, se ficar de fora do trem bala vai ficar muito mais pra trás ainda. E depois que a gente ficou pra trás só fazendo aquilo que eu nunca entendi: correr atrás do prejuízo.

Ah, se prejuízo fosse coisa boa eu até corria atrás, mas pra isso eu já estou velha…

Zailda Coirano

Nesse artigo você aprendeu a diferença entre ser velho e ter idade avançada.

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Organização

Eu sempre tive vontade de me organizar e invejei quem conseguia fazer tudo o que tinha que fazer dentro do prazo previsto. Não que eu não cumpra prazos, mas só eu sei quanto me custa fazer tudo o que me proponho. Ás vezes eu até acho que a culpa é minha, que assumo mais do que seria humanamente possível realizar, mas o bom é que com ou sem sofrimento eu acabo fazendo tudo.

Meu marido vive dizendo que eu deixo muita coisa para trás, mas eu prefiro dizer que estabeleço prioridades: se não dá pra fazer tudo de uma vez, eu vou fazendo o que é mais importante, o resto vai ficando arquivado até eu ter tempo de colocar em prática.

Além do mais eu sou perfeccionista, se tenho que fazer quero fazer bem feito – pra não ter que refazer depois – então se eu sei que o tempo não vai dar pra isso, eu arquivo até segunda ordem e sem dor na consciência por isso.

No passado eu sofri de “síndrome de Cinderela”. Quem está pensando que tem alguma coisa a ver com achar-me uma princesa, enganou-se. Vamos ver, quem era Cinderela e o que fazia? Ela tomava conta de um castelo, cuidava da madrasta e das duas irmãs malvadas, cozinhava, lavava, passava, cuidava dos bichinhos e ainda tinha gás pra ir a um baile e dançar em sapatinhos de cristal até meia-noite! Então quem sofre de síndrome de Cinderela também acha que tem que fazer tudo com perfeição e que não pode deixar nada pra trás.

Hoje em dia eu ainda pego pesado, faço zilhões de coisas, mas me reservo o direito de desligar de tudo e descansar. Antes eu nem dormia, era fechar os olhos e ter uma ideia maravilhosa, aí eu já levantava e botava no papel. Acordava com provas completas no bloquinho – providencialmente deixado ao lado da cama – e só tinha que correr pra digitar antes de ir pra escola, porque se eu deixasse pra mais tarde aquilo ficava na minha cabeça o dia todo, quando fosse digitar a prova já tinha mais de 100 questões. Acho que por isso mesmo os alunos chamavam minhas provas de “simulado”. Nem o simulado bimestral, que incluía questões de todas as matérias, era tão longo e completo quanto as minhas provas.

Bem, mas isso agora já se foi. Falando nisso, vou lá ver Law & Order e outro dia escrevo mais um pouco…

Zailda Coirano

Compulsão

Desde sempre eu me lembro de ser compulsiva. Sempre que comecei alguma coisa e gostei, tornou-se uma compulsão. Não no sentido doentio da palavra, mas as coisas iam se multiplicando de tal forma que em certo momento eu não dava mais conta e por isso era obrigada a parar. Parece uma contradição: fazer tanto uma coisa de que gosta, que ela foge ao controle então eu tenho que parar de fazê-la.

Eu gostava de colecionar (todo compulsivo gosta) e inventei de colecionar postais. Como eu tinha um monte de correspondentes no mundo inteiro, acabou que minha casa foi inundada de cartões postais de todas as partes do mundo e eu já não conseguia mais classificar, nem por ordem alfabética nem por ordem nenhuma. Para dizer a verdade, não tinha nem onde guardar. O mesmo aconteceu com minha coleção de adesivos, a coleção de selos de minha filha Adeline, minha coleção de moedas…

Deixando as coleções de lado, eu que acreditava num casamento feliz “até que a morte ou algo menos trágico – nem por isso menos doloroso – nos separasse” acabei casando 5 vezes… até agora. Possivelmente não haverá outros casamentos porque o atual vai muito bem, obrigada.

Também os filhos vieram acima da média. Num país onde os casais contentam-se com um ou no máximo dois, eu tenho 5. Todos adultos, criados e bem ou mal encaminhados, diga-se de passagem. E com pouca – ou nenhuma – ajuda de seus pais, que são os parceiros das 4 separações que já foram mencionados no parágrafo anterior.

Cada ex-marido casou de novo e teve também seus filhos, de forma que desenhar minha árvore genealógica tornou-se um desafio impossível de realizar. Só se fosse feito no photoshop, em camadas. Ou então com animação: sai uma parte da família, entra outra. Mesmo assim eu duvido que alguém que não fizesse parte dela fosse entender alguma coisa. Acho que chegamos num ponto que ou os sites que preparam árvores genealógicas se adequam à nova família (que tem “ex” pra todo lado) ou eu vou acabar sendo mãe do irmão da minha ex-cunhada, ou qualquer coisa no gênero. O último site que eu tentei usar pra fazer uma árvore decente, depois de alguns meses embaralhando os irmãos das minhas filhas que são e que não são meus filhos; os irmãos dos meus irmãos que não são meus irmãos e outras coisas assim, acabou jogando a toalha e me mandando literalmente baixar em outra freguesia com um aviso de “um erro inesperado nos impede de continuar”. O “erro inesperado” não sei se foi causado pelo próprio programa do site que prepara árvores pra uma família – digamos – tradicional, na qual ninguém tem ex nem futuro, nem meio-irmão, nem enteado, ou se a culpa foi minha por não respeitar aquela lei que não me consultaram quando a criaram – de que casamento é para sempre.

Para sempre por quê, se inventaram o divórcio? E antes mesmo de ele ser inventado, que eu saiba quem estava descontente acabava pegando a trouxa e indo juntar os trapos com outros pretendentes mais interessantes. A culpa não é minha, vai ver eu não sou nem compulsiva nessa área: sou descontente, exigente, inconformada, sei lá. Mas eu não acredito que tenhamos que pagar nossos pecados por aqui.

Zailda Coirano