Racismo na vida real e na TV

Depois do caso recente e lamentável da gremista que chamou o Aranha de “macaco”, racismo é um dos assuntos do momento. Deplorado e denunciado pela gigante Globo em seu telejornal, essa mesma emissora se recusa a perceber que nem só de brancos sobrevive a etnia brasileira. Contam-se nos dedos das mãos os atores negros que participam de suas novelas e minisséries, e ainda assim em papéis menores, frequentemente de empregado doméstico. As mulheres negras sempre como domésticas, dançarinas, prostitutas.

Não desmerecendo nenhuma profissão, num país onde a maioria é de origem negra ou tem uma porcentagem de sangue negro, acho difícil que não tenham ainda percebido que há representantes da raça negra em todas as profissões e classes sociais. Na “vida real’ não há distinção entre negros e brancos em qualquer função, são encontrados em todas elas. Há juízes, advogados, médicos, motoristas, professores, políticos negros. Só no dito canal de TV não são encontrados. Eu me pergunto como sobrevivem os atores da emissora, provavelmente à espera de algum papel de faxineira ou motorista.

Ainda para mais além vão agora, ao estrear uma minissérie com o sugestivo e pejorativo título de “Sexo e as negas”, já de cara antipatizei sem ter visto nem a chamada para a tal “coisa”. Essa “coisa” com esse título infame que associa uma palavra que por si só já considero pejorativa (nega) a sexo não pode ser politica e etnicamente correta.

O título infeliz é para mim o ápice do extremo mau gosto e da forma acintosa com que a emissora há décadas ignora profissionais negros, que raramente são exibidos nas telinhas. Nega-se a eles a oportunidade de mostrar ao público seu trabalho, seu talento, sua beleza. Quem foi a última atriz negra que você considerava uma “diva”? A cada novela surge uma nova diva branca, as negras aparecem a cada década e olhe lá. Será que elas não têm talento? Ou será que não lhes dão papéis que as exponham à admiração do grande público?

Será que para a tal rede as “negas” são vistas apenas para sexo & serviço doméstico? Ou será que vale a cada novela de 50 personagens ter um negro em “funções normais”? Já tivemos alguns negros em papéis relevantes, mas quantos? Dois? E quantos brancos?

Chamar um jogador de futebol de macaco é preconceito, e chamar uma mulher de “nega” associando-a a sexo? Tudo bem pra você?

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